Days #205, #206, #207 e #208

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Uau galera! Acho que nunca fiquei tanto tempo sem atualizar este pequeno diário! Tô até me sentindo um pouco culpada... NOT! :)

Já conto pra vocês tudo que aconteceu.

Na quinta fui almoçar com a P., que tinha me dito que tinha um surpresa pra mim. Então ela me entrega uma ELLE Magazine, francesa. Eu fico curiosa pensando por que raios ela acharia que eu gostaria da tal surpresa. Então ela me diz:

- Abre na página 9. Isso.

Voilà. Bem na página 9 tinha uma foto gigante dupla da manifestação de 8 e Março do ano passado. Bem no meio da foto, tocando uma lata com as meninas da Fuzarka Feminista, eu. Euzinha. O melhor de tudo era o pequeno artigo que acompanhava a foto, criticando horrores o Brasil por não ter aborto legal e indicando como a Igreja ainda tem influência sobre esta questão por lá. Isso depois de eu ter passado a semana revoltada com o lance do PNDH3 sobre o aborto e de ter mudado minha questão de pesquisa incluindo o acesso a aborto e contracepção como um diferencial na construção da carreira acadêmica. Tô toda-aborto estes tempos. Tenso.

Além disso, outra coisa que vale comentar sobre a ELLE francesa - esta mesma edição - é uma matéria de várias páginas sobre como a nossa educação "moderna" ainda é super sexista. Juro. Na ELLE. A manchete principal de capa era "Emagrecer". :P Coisas da França. Ou não.

Por falar em revista, planos mil com a Nat, que me recebeu no sábado (#207) e no domingo (#208) em Rouen, capital da Normandia. Em breve um post sobre esta viagem no NA MOCHILA DA MARÍLIA.

Na sexta fui pela primeira vez na cinemateca e amei. Esta semana também visitei o Centre Pompidou, pra ver uma exposição que amei só de mulheres artistas do século XX. Fenomenal. Também escrevo mais sobre isto muito em breve, ainda não sei em que endereço.

Num geral estas foram as atividades destes tempos, além de uma cólica infernal e a mudança, afinal, da pílula para o adesivo anticoncepcional. Nem ameaçou descolar por enquanto. Ôba.

Parto para minha última semana em Paris antes dos meus dias finais. Aiai...

Do meu quarto cor-de-rosa, Até amanhã,

Mari Moscou

O maior desafio de hoje foi:
Xficar sem interneeeteeeeX
E amanhã, não percam:
X-X

Days #203 e #204: casa nova, bairro novo, preços novos...

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

É impressionante como o turismo inflaciona os preços. Na semana anterior na casa da P, num bairro nada turístico, 12 euros foram suficientes para compras que duraram a semaa toda comendo em casa. Aqui onde estou com o Philippe, acho que gastamos uns 20 cada um. :P (e nem sei se vai durar a semana toda, rsrs)

Fatos, vamos aos fatos: domingo me mudei pra cá. Letícia ficou sem casa mas já achou uma casa. P. disse que tem uma surpresa pra mim e vamos almoçar hoje. Estou com cólica. Aprendi a tocar uma música francesa no violão e tô ensinando umas brasileiras bacaninhas pro Philippe. Ficamos todo dia até as duas da manhã tocando violão e no dia seguinte nos martirizamos porque não conseguimos terminar nossas respectvas pesquisas/projetos de mestrado e doutorado. Ai. Mas o violão é de fato irresistível. Mais irresistível que é o violão é passar esse tempo tocando com o Philippe...

Em breve posto fotos do blog e conto com mais detalhes meu dia bacana de ontem (terça) quando visitei a Torre Eiffel à noite e a segunda, quando assisti a um filme muito bom e insano sobre o Nietzsche com o Philippe e um amigo filósofo, o Nicolas. Sem falar das crepes do meio do caminho, hmmmmm. E das comprinhas que precisei fazer.

Mas agora deixo vocês até o momento em que minha paciência e meu tempo me permitam postar fotos. O bom humor também, que com essa cólica tá fueda.

Do meu quarto cor-de-rosa, Até amanhã,

Mari Moscou

O maior desafio de hoje foi:
Xtempo, tempo, tempoX
E amanhã, não percam:
X???X

Day #202: gente morta e muito amor + sociabilizando-me com franceses

domingo, 31 de janeiro de 2010

Estou vivendo num ritmo tão livre que nem sei mais que dia do mês ou da semana é. Vocês devem ter notado pelo meu post de sexta dizendo que era sábado. Mas era sexta mesmo, não se enganem! :)

O que rolou no sábado? Muito.

Saí depois do almoço pra encontrar Letícia (essa do blog da terra do fado). Letícia é uma amiga da faculdade, embora nunca tenhamos estado nem no mesmo ano nem no mesmo curso e apenas uma vez na mesma disciplina. O que nos une? Fácil. Nascemos no dia 10 de Novembro. Eu num ano, ela um ano antes. Ficamos amigas, assim. Ela estava fazendo um intercâmbio em Portugal, e agora no final ao invés de usar o orçamento mensal pra sobreviver ela resolveu usá-lo para viajar. Só que aí a grana de sobreviver tá faltando. Eu não faria isso jamais, mas cada um na sua...

Ela me acompanhou até o Père Lachaise, onde encontramos Proust, Morrison, Wilde, etc. Ela delirou ao encontrar a tumba de Delacroix - ela, que estuda história da arte, claro. Deu uns gritinhos como se fosse o próprio Delacroix, vivo, ali na frente dela. Figura.

Achamos uns tumulos lindos, outros horríveis, mas consegui imagens belas pro meu documentário sobre o amor, além de um depoimento da Letícia e ajuda dela gravando um meu. Ainda falta voltar lá pra ver os túmulos da Edith Piaf e Abelardo & Heloísa. Fomos embora depois do Jim Morrison porque estava simplesmente MUITO frio (tinha NEVADO naquele dia de manhã, o cemitério já é frio normalmete, e lá ainda é bem alto e venta demais).

Passamos num boteco turco, comemos e comprei um chocolate. Tínhamos feito uma aposta sobre quem acharia o túmulo do Oscar Wilde na quadra primeiro. Ela achou. Eu paguei o chocolate.

Aí nos despedimos quando fui até uma livraria, back in St. Michel (uma rede que se chama Gibert Jeune(ou jaune?) - tem uma livraria pra cada tipo de livro. Eu fui na de ciências humanas e religião). Achei três prateleiras cheias de livros de "sociologie du genre", e comprei por oito euros um livro d'occasion (usado) sobre o aborto na França. Estou reformulando minha pesquisa de mestrado e este livro me ajudará a repensá-la.

Assim que pus os pés em casa recebi uma mensagem do Philippe (que mora em Saint Michel), dizendo que ia sair e que eu podia ir com ele. Me arrumei e tal e fui. De volta pra Saint Michel. Conversamos um pouco, compramos umas coisinhas pour l'apèritif (que aqui na frança é algo de comer ou beber) e fomos pra baladinha. Na verdade era um housewarming da Julia, que tem família dominicana. Havia um dominicano, acho que primo dela e uma prima francesa cuja mãe é dominicana. Foi bom porque além e praticar exaustivamente meu francês e conhecer uma galera ultrainteressante, eu ainda pratiquei meu espanhol.

Saímos de lá bem tarde, Philippe e eu. Não tinha mais metrô. Não tinha muitos ônibus mais. E já que hoje eu supostamente me mudo pra casa dele (P. volta ao Brasil logo mais e uma outra coloc vem pra cá no lugar dela), decidimos ir a pé. Até a casa dele. E ficar por lá. No caminho, passei pela Notre Dame à noite. Num frio do cão. É belíssima. Com lua cheia e tudo. E eu bêbada. Foi fenomenal.

Fora a ressaca hoje. Mas pelo menos o vinho era francês. :)


De Paris,Até amanhã,

Mari Moscou

O maior desafio de hoje foi:
Xsociabilidade, uiX
E amanhã, não percam:
Xressaca?X