parte um: AMOR
No começo eu não queria falar demais sobre isso. Evitei, confesso. Não sei se achava brega, desnecessário ou too much information. Ou se seria só desinteressante pra quem lê este blog. Mas acabei pensando que talvez não. Afinal de contas, as pessoas chegam a pagar vários reais só pra conhecer mais uma boba história de amor no cinema, por exemplo. E geralmente sem autenticidade nenhuma. Então tá. É disso que eu vou falar.
Lendo os posts deste blog, dá pra entender que minha vida mudou demais. Do ano passado pra este, do início deste blog até agora, quando aproxima-se seu fim. Muitas questões eu consegui resolver e aos poucos farei breves balanços. Decidi cumprir minha proposta original. Este blog se encerrará em seu 365º dia. Não falta muito. Será um retrato de um relato de um ano da minha vida pessoal e profissional. Não foi fácil. "Eu penei mas aqui cheguei", como diz Luiz Gonzaga.
Recentemente conheci o Gatinho, que se tornou meu novo Namorado. Amor à primeira vista. Basta lers os últimos dez posts pra entender de onde veio tudo isso. Estou, literalmente, amando. E sendo amada como nunca antes fui amada. Estamos os dois românticos e, como ele bem disse outro dia, "Se não formos bregas agora, seremos bregas quando nesse relacionamento? Daqui a dez anos?". Aproveitamos a nossa breguice e às vezes juro que fica até difícil deixa este universo paralelo pra voltar ao trabalho. Como faço agora, enquanto o Santos joga a final do campeonato (Gatinho é santista fanático e histérico, e eu juro que gosto dessa característica dele; mais essa).
Gatinho-Namorado e os gatinhos, Tchorni (esq) e Mindaugas (dir), que nasceram da outra gata dele, Mafalda, um dia depois que começamos nosso relacionamento.
Agora há pouco ele veio me pedir desculpas pela histeria. Pelos gritos, palavrões e chiliques durante o primero tempo (que está quase acabando). O lance é que eu não vejo o menor motivo pra ele se desculpar. Sinceramente. Pra mim não existe isso de "eu te amo APESAR de você". Amo porque é você, do jeito que você é - eu disse pra ele. Ele sorriu. E eu o mandei de volta pra sala já que o primeiro tempo estava quase acabando.
Conversamos muito sobre o que sentimos, principalmente nestes últimos dias. Sonhamos juntos, pensamos juntos. Está tudo gostoso e eu nem quero saber onde tudo isso vai parar, se é que vai parar um dia. Porque assim está bom. Se houver problema resolveremos. Se não, tamos aí.
A impressão que eu tive ontem enquanto escutávamos uma playlist que eu fiz no iTunes (nosso gosto musical tem momentos gigantescos de intersecção, o que é simplesmente genial dado nosso amor mútuo pela música) era a de que cada música que estava ali, que apareceu em outro momento da minha vida, com a qual já me identifiquei antes, só apareceu pra que eu pudesse ouvi-las todas na mesma playlist sentindo todos os sentimentos juntos. Era como se eu tivesse sentido pedaços deste amor ao longo da minha vida e agora posso, finalmente, senti-lo pleno, todo, completo; com todos os sentidos e órgãos do corpo, células e partículas; com cada pedacinho do meu ser.
Estou completa.
parte dois: INTELIGÊNCIA
Outra coisa espetacular que tem acontecido na minha vida é o mestrado. Por muito tempo na minha vida e na minha graduação eu reneguei e evitei uma aproximação com a academia. Achava inútil, pensava que militar ou fazer projetos sociais transformasse a humanidade em níveis mais elevados. Depois de militância estudantil e política por anos, decidi concentrar esforços em projetos sociais. No final da minha graduação não tinha certeza se faria mestrado. Queria era voltar para São Paulo e trabalhar com projetos sociais. Quem sabe um dia eu pensaria em fazer mestrado - mas pra mim este dia estava longe.
Voltei para São Paulo e não trabalhei em projetos sociais. Este meio do terceiro setor no Brasil é cão. Organizações corruptas que desenvolvem trabalhos assistencialistas ou de impacto superficial têm muito investimento enquanto ações mais profundas e efetivas sobre problemas sociais mais complexos ficam à margem. É algo um tanto óbvio, however, já que o dinheiro vem das mãos da classe social dominante, para quem a organização e configuração de forças atual é uma vantagem. Acabei dando aulas numa escola de inglês renomada e grande, considerada uma das melhores do Brasil (se não A melhor).
Penso que fui trabalhar lá, no fim das contas, só para poder ter certeza muito absoluta de que dar aulas que não fossem da minha disciplina (sociologia, educação, etc) era algo que eu não queria nunca mais fazer (comecei com aulas particulares de inglês aos 16 anos, já dei aulas de matemática, português e até fui assistente de pré-escola). Tomei esta decisão conscientemente e, para sobreviver antes de conseguir uma bolsa de mestrado ou construir uma carreira ESCREVENDO (meus maiores objetivos profissionais hoje), preferi vender meu carro a dar aulas particulares ou continuar na empresa onde estava. Sábia decisão.
Ter uma grana guardada e poder me dedicar SÓ aos blogs, trabalhos com editoras, projetos sociais (não desisti deles, não) e ao mestrado me faz uma pessoa feliz. Para começar porque amo e vejo sentido em cada uma destas atividades. Depois porque divido meu tempo entre tipos diferentes de trabalho e fico alternando de um para o outro durante o dia. Meia hora de blog, uma hora de mestrado, mais meia hora de blog, mais duas horas de projeto social, mais uma hora de blog, mais duas de editoras, breves pausas para Namorado, música, cinema e afins... Equilíbrio. Vivo agora em equilíbrio.
Uma das consequências mais deliciosas deste equilíbrio foi a minha autodescoberta como potencial acadêmica. Venci meus preconceitos e aprendi, de fato, o que é a academia, para quê ela serve, como ela transforma ou mantém a configuração de forças e a ordem e organização sociais. E fiz conscientemente a opção de seguir esta carreira. E a cada dia me apaixono mais e mais pela perspectiva de fazê-lo.
A cada aula chego em casa mais inteligente. Sinto que de fato meu cérebro amplia sua capacidade de operações, relações e percepções. É simplesmente uma delícia.
Descobri que inteligência é meu esporte favorito.
(mas não me faz perder os 7kg que a médica pediu; isto fica pra outro post.
Ou pra outra época da minha vida, vai saber.)
Do quarto do meu amor
Até amanhã,
Até amanhã,
Mari Moscou


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happy-Ma: sentir, pensar, refletir, fazer, escrever, amar <3 VIVER!
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