rios e lágrimas

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Sabem aqueles pedacinhos que eu ando catando do chão? Sem querer chutei alguns pra bem longe e agora estou tentando correr atrás do prejuízo.

Na última semana de Julho veio a notícia: não consegui a bolsa de mestrado. Eu, que tiro nota máxima em todas as disciplinas, que escrevo bem, que amo o trabalho acadêmico. Minhas perspectivas de uma preparação de carreira absolutamente brilhante e excepcional foram por água abaixo. É como os meus 5s e 6s nos dois primeiros anos da graduação: estão lá para sempre. Esta carreira é dura. Dura mesmo. Principalmente porque ainda me faltam pelo menos uns cinco ou seis anos pra sequer começar uma carreira de prestígio. Esse negócio de sucesso antes dos trinta, nessa profissão nem a pau, juvenal.

Então eu fiquei doente. Doente mesmo, de verdade. Primeiro uma diarréia que não passava. E medo, muito medo. Medo de dar errado, medo de ter que refazer escolhas profissionais - e se eu realmente for ruim nisso e tiver que escolher outra profissão? mas pombas, eu não sei fazer mais nada com o prazer e a facilidade com que eu faço isso! Medo de estar num país estrangeiro, no hospital, não falar a língua, não conseguir ler as bulas dos remédios que eu tinha que tomar. Medo de dar uma merda muito grande, do meu corpo não se curar. Merda mesmo - fiquei duas semanas inteiras com diarréia. Quando ia voltar para o Brasil melhorou. Quando cheguei em casa, porém, adoeci de novo. Tosse e mais tosse. Uma semana de antibiótico e muito cansaço. No final dela, mais diarréia e pressão baixa me levaram de novo ao pronto atendimento em um lugar não-familiar - estava viajando, no litoral. E aí dor no estômago, indigestão, enjôos, intestino preso. Rins. Tudo, tudo ruim.

A pior das doenção, no entanto, foi a depressão. Uma tristeza com tudo que não passava. Um desapontamento e um desânimo com a vida. E críticas e mais críticas e mais críticas. Dos outros e de mim mesma. Duras críticas. Falta de libido. Irritação. Mau-humor. Um ódio generalizado. E mais medo. E culpa. E rios e rios de lágrimas. Medo e mais medo. Uma sensação de abandono.

Deixei pra lá minha vida virtual (vocês devem ter notado). O Mulher Alternativa (www.mulheralternativa.net) ficou às traças - e nem por isso deixou de ganhar uns 3 seguidores! eba! - e este bloguinho aqui, nem se fala. Não tinha mais tweets. Nem muito facebook. Nem texto. Minha vida virou este inferno que, pra piorar, coincidiu com o um mês que tive pra reformular meu projeto e enviar novamente à FAPESP.

Comecei o processo de cura. Ontem fui na terapia. Resolvi voltar a ir semanalmente que este semestre não será fácil e de sonho como o semestre passado. Consegui enxergar algumas coisas com muita clareza e chegando em casa comecei a sarar. Meu primeiro remédio foi o choro. Acordei hoje com os olhos inchados, vermelhos e o coração limpo. Quero ficar em casa nos próximos dias. Depois retomo o amor dos amigos. Agora preciso do amor da mãe. E dos irmãos.

O prazo novo da FAPESP termina hoje. Ainda não submeti a proposta e o sistema está lento. Mas estou progressivamente conseguindo. Com calma e paciência. Hoje vai ser um dia tranquilo.

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