É; faz muito tempo mesmo que não posto nada em blog algum. Neste inclusive. A vida se associou com o dark side do meu cérebro pra me pregar umas peças. O pior é que eu caí. Mas já estou mais esperta.
Entre todas as coisas horríveis e fantásticas que me aconteceram, tomei uma decisão: mudar de casa. Às vezes eu me pergunto seriamente se quando eu ficar mais velha vou ser como a personagem da Cher em "Minha Mãe É Uma Sereia". Corro este risco seriamente. Primeiro porque ela é uma mãe toda modernosérrima e prafrentex. Já imaginaram se eu tenho uma filha católica carola como a personagem da Wynona Rider? Que encrenca. Segundo porque ela muda de casa sempre - segundo a filha, cada vez que alguma coisa dá errada em algum lugar. Terceiro porque... Rá, cá pra nós, eu sou uma sereia hein? (haoiehaoieh; perde os leitores do blog mas não perde a piada)
Desta vez o motivo foi simples: ficar perto do estudo e da pesquisa (de lambuja também do namorado) e não recisar carregar livros, etc. pra poder estudar bem e trabalhar bem na pesquisa. Outra coisa que tem acontecido e me surpreendido é como não só a vida acadêmica me faz feliz, mas também os pequenos lazeres de um distrito onde não há um cinema decente mas há muitas árvores, ciclovia, cooperativa de compra de orgânicos, bibliotecas, gatos e cachorros, frutas à venda na rua, etc. E ao mesmo tempo como o trânsito, a poluição, o barulho, as luzes - que antes jamais se sobrepunham aos maravilhosos cinemas, teatros, videolocadoras, facilidades e etc - me incomodam. Acho que estou feliz.
Mas vamos lá, só de brincadeira, tentar lembrar todas as casas onde morei.
A primeira era na Vila Madalena, um sobrado que não existe mais. Aí mudamos para Itapecerica da Serra, na casa onde mora minha avó (e uns inquilinos aí). Então fomos para a Vila Madalena de novo, desta vez num apezinho que ainda existe, pobre coitado, no meio de enormes empreendimentos imobiliários. Depois disso mudamos para um outro sobrado na região do Butantã, perto da rodovia. Minha avó morava lá com a gente e é desta casa que tenho as lembranças mais nítidas da minhas infância. E lindas também. Aí mudamos pra um apartamento - fato que me chateou, já que tivemos que deixar a gata pra trás e naquela época não havia tantas ONGs e serviços de adoção. Depois deste apartamento veio outro apartamento, bem perto da escola onde eu estudava e passamos a ir pra lá a pé. Pouco depois que mudamos de escola mudamos de casa de novo, pra cidade de Cotia, no subúrbio paulistano. Sem transporte público e com dois adolescentes cheios de anseios de independência em casa, meus pais optaram então por alugar um apartamento perto de Pinheiros. Moramos lá um ano. Aí mudamos para um outro apartamento no Butantã e poucos meses depois eu me mudei para minha primeira república, em Campinas, no centro-quase-Cambuí. No final daquele ano a república se desfez, pois nossos veteranos (uma está em Londres, dançarinésima do mundo; e o outro em LA, chiquetésimo músico) acabaram o curso e meu "ex-amigo" (quem sabe um dia não conto este história aqui?) mudaria para mais perto da universidade. Eu tinha conseguido um trabalho mais perto do centro e mais longe da universidade e resolvi ficar. Fui morar num apartamento quarto-e-sala (com divisória; não era uma kit) também no centro. Aí depois de um ano morando com minha prima, consegui uma roomate pra morar num outro apê mais perto do meu trabalho. Logo depois que mudamos ela foi embora pra SP e me largou com apartamento, contratos e um processo na imobiliária e na companhia de luz, tudo no meu nome (ah, e um gato, o Theodoro, que tive que doar e foi quando conheci o www.adoteumgato.com.br - genial). Eu iria viajar por dois meses, então não queria achar uma casa definitiva antes de voltar de viagem. Umas amigas me abrigaram na antiga república Cabaré (não sei se ainda tem este nome). Quando voltei, porém, a vaga que eu tinha combinado com uma outra rep tinha sido deliberadamente cedida para outra pessoa. Então conheci a república dos franceses, onde morei até o final da minha graduação. Quando me formei voltei para SP e logo mudamos de casa de novo, para um outro apartamento onde moramos agora, já que meu irmão também estava voltando e precisávamos de espaço. Bastante espaço. Agora, finalmente, me mudei de novo para perto da universidade, em Campinas.
Mas e aí, conseguiram contar quantas casas eu tive em 23 anos de vida?
Sim, dezesseis. Esta é a minha décima sexta moradia na vida.
Imagino as histórias que contarei daqui. Fico feliz.

1 comentários até agora... dá o seu?:
Nossa! Eu em quase 30 tô na oitava casa. Metade!
Boa sorte com aa mudança!
beijo
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